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Por: Carol Pereira .

A Pedra Branca foi, durante anos, um dos meus lugares mais amados no mundo. Meu avô tinha uma fazenda lá e eu ia, no mínimo, umas três vezes por semana para a “Água Fria”, sentada em seu colo, achando que dirigia a velha Pick Up amarela. Foi uma infância muito divertida, ouvindo histórias de um tempo distante, onde índios espiavam pelas frestas da casa, cobras caiam de cima de árvores no colo das pessoas, assombrações habitavam a escuridão da noite e as mais saidinhas pediam água e apareciam até mesmo a luz do dia e, o milho e o feijão sustentavam a família. Causos a parte, vamos conhecer um pouco da história da Pedra Branca?

*As informações citadas abaixo foram adquiridas em conversas informais com os senhores Edilio Schtuz, Evanir Wagner e outros registros encontrados ao longo dos anos. 

No período pré-colonial, a comunidade de Pedra Branca era habitada por muitos índios. Os diversos artefatos encontrados casualmente contribuem significativamente para a comprovação da existência de sítios arqueológicos que representam as populações que ocuparam a área do município de Alfredo Wagner e adjacências em períodos mais recuados no tempo. Os Sítios e/ou vestígios arqueológicos encontrados na comunidade de Pedra Branca a céu aberto são as casas subterrâneas, ossos, sítios líticos – apresentando concentração de instrumentos como pontas de flechas, machados, mão-de-pilão; e em grutas, abrigos sobre rochas, galerias. Esses sítios são popularmente chamados como locais de “terra preta”, onde os detritos deixados pela ocupação indígena marcaram o solo. Se nos aprofundarmos ainda mais na história na comunidade de Pedra Branca encontraremos também uma paleotoca, que fica na região conhecida como Combreia.

A Combreia recebeu esse nome devido a uma arma antiga encontrada enquanto uma picada estava sendo aberta. A espingarda tinha esse nome escrito e, a partir de então, o local ficou assim conhecido. Outro fato que marca a história da região de Pedra Branca é a grande quantidade de cobras existentes no local naquela época. Conta-se que o feijão era ensacado e transportado, nas costas dos produtores, até o local em que seria limpo e, muitas vezes, quando eles chegavam e espalhavam os grãos encontravam até três cobras dentro dos sacos, todas jararacas.

O desenvolvimento da Pedra Branca começou somente em 1890, com a criação dos Burgos. As terras foram, em sua imensa maioria, cultivadas por colonos alemães, que as adquiriram junto a “Companhia Colonisadora Catharinense”.

o lugar é conhecido por esse nome devido a uma montanha de 1.666 metros de altitude, que em uma das faces possui um imenso paredão de pedras claras, chamada pelos moradores de Pedra Branca.

A comunidade era bastante unida e faziam mutirões – nesse caso chamado de Pichurum – que aconteciam quando os homens se reuniam e derrubavam uma capoeira, faziam uma grande roça ou tinham uma grande colheita pela frente. Como pagamento, a pessoa que recebia os serviços deveria oferecer um baile, com gaiteiro e tudo mais. Vinha gente de outras comunidades para ajudar, trabalhavam felizes esperando anoitecer para se divertirem, essa era uma prática comum no antigo Barracão.

Na comunidade se plantavam, em especial, o feijão e o milho. Era comum, também, a criação de porcos, alimentados pelas pequenas roças de abóbora e batata doce e, esses animais eram soltos dentro das lavouras para comerem quando tivessem vontade. Quando os porcos eram vendidos, os produtores juntavam suas “varas de porcos” e tocavam estrada afora, como se fossem um rebanho de gado. Levavam eles até perto da Lomba Alta onde eram pesados dentro de caixotes e o senhor Duca os colocava em seu carroção e os levava para vender.

Seu Evanir nomeou algumas das famílias pioneiras na ocupação da Pedra Branca. É importante frisar que hoje muitos desses descendentes dos pioneiros ainda vivem na Pedra Branca.

Paulo Saturno, Lelo Saturno, Leopoldo Seeman, Inácio Castanheiro, Alberto Marian, Iti Marian, Augusto Felau – que possuía uma venda, Aristides Kalkmann – que também possuía um comércio, Carlos Berger, Hemilio Januário Alves, Amaro Pureza, Henrique Pinheiro, Amaro Pureza, João Santos e Dina,Peta Klalkmann – família do meu tataravô que morava na casa onde meu avô nasceu, onde tanto brinquei, onde me apaixonei pelas histórias do passado e por Alfredo Wagner.

A comunidade também possuía uma coisa incomum para época: uma professora negra. Chamada de Chica Martins, ela venceu os preconceitos e se firmou na memória daquela gente como uma professora excelente e atenciosa. Além da família da professora Chica, existiam outras famílias de negros como a de Manoel Inácio.

A história da Pedra Branca ainda é pouco conhecida. Caso você tenha mais informações para contribuir ou conheça alguém que tenha, entre em contato e nos ajude a escrever na história a luta de nosso povo.

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