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Depois de 16 dias com o grupo do Brasil fazendo aclimatações e a travessia Huayhuash, ficamos 2 dias descansando e planejando nossa próxima aventura

Conhecemos dois escaladores de Joinville que também estavam em Huaraz a um tempo, subindo nevados da Cordilheira Branca.

Foi ai que marcamos de nos encontrar e nos conhecemos no hostel Monkey Hazi, do escalador conhecido como Mono, muito gente boa e receptivo, um lugar bem alternativo com parede de escalada, que é o ponto de encontro dos escaladores que vem a Huaraz.

Parede de escalada no hostel

Eles nos contaram que já estavam por ali cerca de 40 dias subindo alguns nevados imponentes da região como Ishinka, Chopicalqui e Pisco. Reginaldo é geógrafo, trabalha com topografia e tem experiência de escalada em rocha e gelo há mais de 20 anos, e o Leandro seu primo, hà 4 anos que esteve pela primeira vez nas montanhas do Peru!

Reginaldo e Leandro de Joinville/SC no cume do Mateo.

Combinamos de fazer um nevado juntos, e antes disso aprendemos sobre técnicas de encordoamento, vários tipos de nós e ancoragem usadas em escaladas de alta montanha. Passamos o dia praticando e no dia seguinte alugamos os equipamentos em Huaraz, e continuamos a praticar e treinar as técnicas, para quando chegar na montanha estar com os procedimentos bem gravados na memória.
Algo que quem escala montanhas de altitude precisa ter em mente: cuide da sua própria segurança. Então, não pense que é fácil, você tem que ter um psicológico forte além de uma boa resistência. Aconselhamos para quem quer iniciar que contrate um guia, em Huaraz se pode achar diversas agencias que vendem  pacotes para alta montanha, porém atenção na hora de escolher o pacote, pois o barato pode sair caro.

No hostel, escolhendo equipamentos.

No dia seguinte acordamos as 3:30h. Já havíamos combinado com um taxista  para nos levar até Punta Olímpica. Com os equipamentos checados no dia anterior e mochila pronta partimos para essa aventura. Foram infinitas curvas e subidas intensas. Passamos pela cidade de Carhuaz, destrito de Shilla e logo ingressamos ao Vale de Ulta na Punta Olimpica, base do Nevado Mateo à 4700m.

Na cordilheira de montanhas chamada Contrahierbas se forma o maciço Copa  onde temos o Pico Mateo. Localiza-se ao norte de Huaraz, no Parque Nacional de Huascarán e está numa altitude de 5150m. É considerada uma alta montanha com ascenso de nível ”fácil” sem a dificuldade de ”gretas”. Você consegue chegar ao seu cume caminhando, com duração rápida de aproximadamente 3 horas ida e volta, sem partes técnicas, porém com uma inclinação considerável. É indicada para pessoas que já tem experiência em trekking e quer se aventurar no seu primeiro nevado com equipamentos para caminhada em gelo, como crampons, capacete, piolets  e roupas adequadas. ( E para sua maior segurança o encodamento também).

Chegamos às 5h, estava escuro e fazia muito frio, começamos a pernada pela ”morena”(caminho de rochas onde antigamente havia neve), com algumas partes de escalaminhada.

Trajeto que fizemos neste dia, por conta da baixa KM e aproximação rápida o nevado Mateo é considerado ideal para iniciar nas caminhadas em gelo.

Depois de meia hora  chegamos no glaciar e rapidamente colocamos os crampons e nos encordoamos. Eu e o Regi com uma corda e Renan e Leandro com a outra corda. Algumas pessoas desconhecidas já estavam subindo. Começamos a trilha pelo glaciar pelo caminho demarcado.

Renan e Leandro quase chegando ao cume, partes ingrimes. Olha o Regi e a Vanessa (passando um pouco de frio) lá em baixo! rsrs

Um passo depois o outro, sem olhar muito pra cima ou pra trás, seguimos encordados  dando uma distância de segurança de uns 10 metros do parceiro de corda.  Confesso que fiquei um pouco assustada quando vi a subida, era mais ingrime do que imaginava, porém confiei nos nossos amigos e nos equipamentos e continuei mais tranquila.

Na metade do caminho começou a ventar mais forte e sentíamos a poeira de neve batendo no rosto. Fizemos algumas paradas de 10 segundos para recuperar o fôlego.  Enquanto isso passavam alguns escaladores na nossa frente sem encordamento, como se não fosse nada rsrs. Eu estava com a luva do Renan, que era maior que minhas mãos e senti o vento passando por dentro dela, a temperatura estava perto dos -10°c e fiquei preocupada pois pareciam estar congelando, ao mesmo tempo que doía muito. Consegui ficar mais calma quando comecei a pensar positivo e movimentei as mãos sem parar, para voltar a circulação e eu senti-la novamente. O meu parceiro de corda também me motivou a continuar. Logo passou o vento e eu me senti melhor e continuei  a subir.

A esta hora da manhã são as horas mais frias do dia, e com o vento forte que pegamos, o frio era muito intenso, e vimos que para fazer alta montanha precisavamos de luvas melhores, e mais proteção para o rosto ( balaclavas ou bandanas ) Porém subindo um pouco mais chegando num ponto protegido do vento, onde nos aquecemos e continuamos a subir.

Nos trechos ingrimes ultilizamos a técnicas de gramponagem, que é a forma correta de caminhar usando Grampons e piolets, para evitar acidentes e facilitar a subida nos trechos ingrimes

Finalmente chegamos ao cume. Emocionados, nos abraçamos todos e contemplamos a vista da Cordilheira Branca e seus nevados em destaque para o imponente Huascarán 6768m  (considerado a  montanha mais alta do Peru e 3° da America do Sul), Chopicalqui 6112m, Ulta 5875m, Chacraraju 6108m e entre outros.

No cume do nevado Pisco 5150m. Alegria estampada no rosto!

Foi nossa primeira experiência no glaciar com equipamentos de escalada. Retornamos contentes com o segundo cume de alta montanha realizado! Na descida, eu fui na frente e foi bem mais tranquilo. Os crampons são de mais, te passam uma segurança em caminhar na neve pois eles encravam no chão de gelo e fica muito difícil escorregar . Quando chegamos novamente à base, retornamos de taxi, admirando os imponentes nevados que se vê pelo caminho da Punta Olímpica. Trocamos uma ideia com o taxista nativo durante o retorno e logo chegamos a Huaraz, um pouco cansados , porém com aquele sorriso de orelha à orelha. Agradecemos os amigos Reginaldo Carvalho e Leandro Goncalves que estiveram com a gente nessa aventura e nos proporcionaram momentos de aprendizado, segurança, superação, risadas e muitas alegrias. O primeiro passo foi dado para iniciarmos solos em Alta Montanha 😀

Representando o BRASIL e SC nos andes peruanos!

Assista o vídeo da Vanessa chegando ao cume:

Relato de experiência:

Algumas pessoas se perguntam, “Qual a finalidade de subir uma alta montanha? Passar frio? Sair de madrugada com graus negativos? Quase congelar as mãos e os pés? A segurança da minha casa é muito melhor, a minha cama também.” Ok. Te digo que não tem finalidade alguma. Preferimos o extremo de viver feliz correndo riscos, (cuidando com a nossa segurança, é claro) do que o “parecer feliz” na zona de conforto. Eu simplesmente digo que eu escolhi isso para mim, subir lá em cima, é se sentir a pessoa mais feliz do mundo,mais perto de Deus e de paisagens alucinantes, SIMPLES ASSIM!  Não desista daquilo que você mais quer pra sua vida!  E que venham os próximos cumes! 👊

E qual será a próxima aventura?

 

EM BREVE NOVIDADES!

Vanessa irreconhecível no cume Mateo!

FIM

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