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Depois de nosso TREKKING DE SANTA CRUZ,  resolvemos fazer uma despedida, ficamos um dia curtindo a cultura urbana e a night de Huaraz e no outro dia pegamos o ônibus e retornamos a Lima. No segundo dia de descanso, compramos nossas passagens e o nosso destino seria o Sul do Peru para conhecer a cultura inca.

05 de setembro de 2018
Mais uma jornada de muitas horas no ônibus, Lá vamos nós outra vez!

 

Pegamos o ônibus cama-leito da Ortursa, ótima opção pra quem iria ficar 21 horas dentro do ônibus.  Com travesseiro e coberta, o acento é bem confortável e inclinável, com TV e tem serviço de bordo com janta e café da manhã.

Janta inclusa na passagem de ônibus!

Resolvemos fazer uma parada em Arequipa, pra mudar um pouco a vista de nossa viagem.  Seriam  cansativas 25 h se pegássemos o ônibus direto para Cusco. Como lemos  e tivemos ótimas recomendações, nos interessou ficar uns dias na cidade do vulcão ativo El Misti.  É um destino mais pra quem procura museus históricos, casas de arte e baladas noturnas.  É considerada a segunda maior cidade do Peru.

Arequipa, a cidade charmosa

 6 de setembro de 2018

Quase chegando em nosso destino, pelo celular já reservamos o Yes! Arequipa Hostel.  É bem localizado,  próximo do centro e tem uma vista incrível do Vulcão. As ruas são bem estreitas e a maioria dos prédios históricos são restaurados. Quase todos os hospedes que estavam ali eram franceses e americanos que vieram para fazer o Vale del Colca ou o Vulcão El Misti.

Vulcão El Misti 5.822m

A catedral e a praça de Arequipa estão entre as mais impressionantes da América do Sul. Não é para menos que o centro histórico é considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O contraste da arquitetura colonial, que utilizou pedra vulcânica, com os três vulcões que cercam a cidade, Pichu-Pichu, Sasami e Misti, criam uma atmosfera única!

Aproveitamos esse momento na civilização também para comprar lembranças típicas do Peru. A boneca ”Cholita” e a ”Ocarina” que perece um amuleto (pode ser um colar e ao mesmo tempo instrumento de sopro) foram alguns de nossos presentes que compramos para nossos familiares.  A noite na PLAZA DE ARMAS estava bem movimentada. Ficamos impressionados com a maior dança folclórica do mundo. Cerca de 235o participantes, que dançavam juntos para conseguir o recorde no guiness book.

A maior concentração de dança folclórica do mundo

Por mais de um mês, centenas de pessoas se prepararam para interpretar a música tradicional. Alunos de escolas públicas e privadas, universidades, policiais, coletivos e pedestres participaram dos ensaios para fazer bonito no grande dia. Confesso que fiquei encantada com tamanha sincronia e deu até vontade de participar, pena que o Renan não quis me acompanhar, pois a dança era a dois. :l

Fomos atrás de informações sobre os Trekking de ali  e as agências que levam ao Vulcão Misti e ao Vale del Colca. Descobrimos  que o valor era bem salgado do que estávamos preparados a pagar, então depois de muitas dúvidas, resolvemos adiar a indiada e continuar no próximo dia à Cusco, porque lá também não seria barato então precisávamos racionar o dinheiro que estava acabando.

Cusco, o vale sagrado dos Incas 

 9 de setembro de 2018

O local é  a principal cidade pra quem quer ir a Machu Pichu.  Os incas acreditavam que esta região era o umbigo do mundo  e por isso  batizaram com esse nome.

As lendas atribuem a fundação desta cidade ao inca Manco Capac, que teria recebido um sinal do deus Sol para conquistar o lugar e fundar aí a capital do Império Inca. O lugar era tão importante que poderia ser comparado ao Vaticano para os cristãos ou a Meca para os muçulmanos. O templo principal dos incas ficava em Cusco (onde atualmente está o museu Qoricancha), e era comum que os templos nas outras cidades fossem construídos virados à Cusco.Assim que chegamos a Cusco fizemos check in no hotel e descansamos o dia todo. No final do dia resolvemos caminhar pelos arredores, para conhecer alguns pontos túristicos. Primeiro fomos a PLAZA DE ARMAS e um mercado publico para fazer umas compras de mantimentos para o trekking. Nem nos aventuramos em comprar nada além disso, pois como é uma cidade turística, a maioria dos lugares são absurdamente caros. No outro dia bem cedo pegamos um ônibus que nos levaria até a localidade de Cachorra.

O trekking na cidade perdida de Choquequirao

  10 de setembro de 2018

A palavra Choquequirao se fala ”Tchôquequirao” e sua tradução em português é ”berço de ouro”. Está localizada no Rio Apurímac, região de Cusco. Sua altitude encontra-se à 3085m de altitude e a uníca forma de chegar até lá é por um intenso trekking de no mínimo 4 dias com muito, MUITO  sobe e desce.   Choquequirao é um dos sítios arqueológicos incas menos visitados do Peru. Como o local é de difícil acesso e menos conhecida que sua irmã Machu Pichu, tem um alto grau de conservação.  E é claro que nos interessou muito  conhecer esse paraíso ainda mais preservado e poder apreciar o silêncio das ruínas. Só pra ter uma noção enquanto 1500 pessoas visitam Machu Picchu, em torno de 5 a 12 pessoas por dia visitam Choquequirao. O acesso é díficil? Então e é pra lá que vamos.

Ruínas de Choquequirao

DIA 1 – Cusco – Cachorra – Mirante Capulyoc – Camping Santa Rosa

 10 de setembro de 2018.

Saímos de Cusco com um ônibus lotado, seria mais em conta se comprássemos os acentos separados. Então tudo certo, se é pra economizar estamos dentro.  Quando entrei no ônibus  eu Vanessa sentei ao lado de uma senhorinha com roupas típicas de ”Cholita”: com manta colorida, chapéu e trança.  Quando ela me viu ,me ofereceu um sorriso amarelo de poucos dentes,mais muito sincero. Trocamos algumas palavras e logo ela dormiu.  Algo que nos chamou atenção, por ser um ônibus interurbano estava levando mais pessoas que o limite de acentos, umas 9 pessoas em pé e algumas até sentadas nos braços dos acentos tendo que se segurar para não cair por durante intensas 4 horas com muitas curvas. O Peru é um daqueles lugares que você volta no tempo, sem regras à cumprir. Às 9h da manhã paramos em uma tenda muito simples e com pouca higiene. Para o ”desayuno’‘, havia apenas uma cobertura, uma mesa e 2 tachos: um com ”harri de galiña” ( caldo picante de galinha),”chicharron” (porco em pedaços) e salada de cebola roxa e foi isso que a maioria dos locais comeram logo pela manhã dentro do ônibus. Ficamos impressionados com tamanha fome e falta de modos que na cultura deles deve ser normal rs.

Parada às 9h para o reforçado ”desayuno” rs.

De mochileiros no ônibus, só haviam nós e mais duas alemãs que  também iam a Choquequirao. Ao chegarmos em Cachorra nós e as alemãs pegamos um táxi e rodamos 30 minutos até o início da trilha.  O início do trekking é no mirante de Capuliyoc, com vista para o vale Apumirac. Começamos a caminhada e já de início seriam 1200 metros descendo por aproximadamente 4 horas em zig zagues por trilha batida. A vegetação é bem seca e com bastante poeira e o calor estava realmente escaldante. Chegando no vale, os joelhos já pediam socorro. E depois de lavar o rosto naquela água cristalina, próximo ao camping ”Playa Rosalina”, as 2 mochileiras alemãs resolveram ficar no primeiro acampamento. Esse camping fica próximo do turbulento Rio Apurímac, que é, inclusive, um dos alimentadores do Rio Amazonas. Nós decidimos continuar já que estava cedo e nossa ideia era chegar em Anama e ir até Machu Picchu em vez de voltar pelo mesmo caminho, que seria o trajeto tradicional.  E toca pra cima mais 1000 m até o 2° acampamento do caminho, já bem mais próximo de Choquequirao.

Chegando ao primeiro vale, atravessamos a ponte próxima do Camping 1, paramos para descansar um pouco e tocar adiante.

Não sentimos o efeito da altitude, porem as subidas brutas lascavam com a gente. Em vários momentos tivemos que parar para tomar água. Eu Vanessa, quase desmaiei, tive uma ligeira queda de pressão por causa da subida intensa com mochilão nas costas e o sol que parecia fritar-nos.

No caminho encontramos alguns caminhantes que estavam com agência, levando a mochila de ataque, super leves. Com arrieiros, guias, cozinheiros e mulas. Muito parecido com a instrutura que tivemos em Huayhuash. Com certeza a mochila leve faz toda a diferença nessas subidas.

Chegamos na metade da montanha, no camping ”Santa Rosa Baja” pois já estávamos bem cansado e já era final do dia.  Haviam poucos espaços para barraca nesse local, a sorte que chegamos a tempo de conseguir um espacinho. Havia uma tenda vendendo bebidas e mantimentos e mais um banheiro com chuveiro e água fria. Pagamos 5 soles para montar nossa barraca ali.

Nesse locais de acampamento sempre há irrigação e com isso torna-se mais verde aos arredores. Fizemos a janta clássica de macarrão com molho e logo após já capotamos na barraca, o dia foi cansativo.

Chegando ao primeiro acampamento depois de 1200m de descida + 800m de subida

DIA 2 – Camping Santa Rosa – Choquequirao

No próximo dia nosso objetivo era chegar no acampamento de Choquequirao, mas antes passaríamos pelo posto de controle para pagar o acesso ao parque  e por  um pequeno povoado, depois de 400m de elevação. Onde já encontramos novamente rica vegetação e água abundante. Isso torna possível que as famílias campesinas consigam viver e cultivar seus alimentos, podendo assim oferecer uma boa  estrutura para receber  os trekkers. Até cerveja gelada que é bem difícil de encontrar, conseguimos achar lá!

Comunidade Campesina de Marampata, parada para descanso.

Depois só mais uma subida e já estávamos no posto de controle, de lá já avistávamos os canais hidráulicos e terrenos destinados ao plantio feito pelos incas.

Impressionante vista do sítio arqueológico

Chegamos ao posto de controle no Mirador Suchumpata, pagamos o ingresso do parque. Mais alguns trechos de subida em zig zagues e em 1 hora e meia, chegamos ao Camping de Choquequirao.  Agora era só montar a barraca e conhecer os arredores.

Quase chegando!

 O Parque Arqueológico de Choquequirao encanta por sua imponência de arquitetura com plataformas, ambientes, praças, templos e grandes muros. Há muitas lendas que diziam que o lugar era designado para fins públicos e cerimoniais, como o Culto ao Deus Sol, a lua, à terra e a água. Choquequirao foi encontrado em 1909 por Hiram Bingham.  O lugar foi destinado aos descendentes do Inca Pachacútec, Tupac Inca Yupanqui  entre os séculos XV e XVI.

Acampamento dentro do sítio de Choquequirao! Levamos uma garrafa de Jack Daniellsx Honey para comemorar a indiada!

 

Depois de uma longa pernada conhecendo essa riqueza milenar, voltamos para nossa barraca para um jantar merecido e dormir tranquilos ao som de cigarras. A vegetação aqui nos lembrava muito \ nossa região, nos sentimos em casa.

DIA 3 – Choquequirao até Acampamento Maizal

Acordamos e em jejum levantamos acampamento e fomos até a praça central ainda no parque de Choquequirao para tomarmos aquele cafezinho no silêncio das ruínas. Logo apareceram dois bolivianos que estavam indo pra mesma direção. Trocamos uma ideia e decidimos ir juntos até um pedaço. Nesse dia foram algumas subidas duras até chegar ao acampamento. Lembro que quase chegando, ficamos sem água e foi bem desesperador. Sorte que nosso psicológico foi forte e as folhas de coca ajudaram a hidratar.

Partindo para o Acampamento Maizal!

No caminho…

O camping era pequeno e próximo de uma casa de barro com uma senhorinha que vivia la com suas galinhas, porcos, cachorros e gatos. A vista compensou nos trazendo um belo pôr do sol.

Exaustos porém agradecidos.

Dia 4 – De Camping Maizal até Yanama

Acordamos bem cedo nesse dia, pois queríamos chegar até Yanama pra conseguir um colectivo que nos levasse até Machu Picchu. Seriam mais uns 3 passos de montanha. O certo seriam 8 dias para completar a caminhada até Machu Pichu, mas como teríamos pouco tempo pois o dia de nosso retorno ao Brasil estava se aproximando e nossa comida estava acabando, então não podíamos arriscar.

A trilha se dava ao lado de princípios! 😮

Depois de mais algumas intensas subidas por trilha de chão batido, passamos pelo o último passo  ” Abra San Juan” (4.150m) onde havia uma tenda com uma senhora cholita que estava fazendo uma manta de lã de alpaca com agulhas de osso. Perguntamos se tinha ”almuerzo” e ”cervesa helada”e ela prontamente disse que sim. Pensa na nossa alegria depois dessa desafiadora caminhada. Almoçamos e comemoramos a última subida felizes com a recompensa.

Tenda en el último paso!
Almuerzo de papas fritas, arroz y huevo con cervesa helada! Lujo de la montaña!

Do outro lado conseguíamos avistar o pueblo de Yanama, que alegria agora era só baixar!

Mais ao longe avistamos as montanhas nevadas de Salkantay!

Trilha para descer a Yanama próximo ao perau.

Depois foi somente decida. Vimos algumas cavernas no caminho feitas por mineradores que dali extraiam ouro e prata. Foram 700m serpenteando por bordas de perau vale a baixo cantarolando.

Cavernas de mineração

Chegandoem Yanana, fomos em um mercadinho, comprar mantimentos. Montamos nossa barraca no gramado próxima a casa e tenda de uma família campesina.

Conseguimos!

Aproveitamos a tarde para lavar roupas e dar uma volta pelos arredores. O colectivo somente iria passar no outro dia as 6:30h. Perto da noite, perguntamos aos campesinos se havia ”sena” (jantar) e sim. Então pedimos uma deliciosa sopa peruana.

Dia de lavar roupa!

Tomamos aquela sopa especial com frango e legumes, junto da família, enquanto o pai ensinava sua filha matemática. Foi bem bacana conhecer eles, pessoas bem simples que tinham um coração de ouro. Tornaram nossos amigos.

Fomos pra barraca dormir. No dia seguinte acordamos super cedo para guardar todo o equipamento e esperar o colectivo na estrada. E passou um e passou outro e nada do nosso colectivo que ia até Santa Teresa. Após 4 horas ainda estávamos lá! Sorte que logo passou um desses caminhões que trazem mantimentos para comunidades campesinas e perguntamos se não poderíamos ir de carona com eles. Pagaríamos 30 soles, é claro. E aceitaram… E nossa aventura continua. Fomos parando pelo caminho, ajudando a fazer as vendas e entregas e escutando histórias do casal peruanos até chegar em nosso destino Santa Teresa, que seria o portal para irmos a cidade perdida dos incas!

 

Uma cholita comprando mantimentos. Lá é muito comum falar em ”quechua”

 

De carona até Santa Tereza com uma distribuidora!

 

Mapa da aventura

 

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