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No dia 07 de agosto de 2018 desembarcamos em Huaraz, após várias horas de vôo de Florianópolis, com conexão em Guarulhos SP, chegamos à Lima.  Assim que  entramos à capital peruana já nos deslocamos diretamente para o terminal de ônibus Plaza Norte, em busca de uma empresa de transporte ( existem várias ) que nos levasse ao norte do pais, até a conhecida “Suíça Peruana” Huaraz. Com suas montanhas nevadas e grandes altitudes foi o principal atrativo que nos levou ao Peru. Definitivamente não é um local tão turístico como Cusco, que está ao sul e é hoje o principal atrativo de uma multidão de turistas de diversas nacionalidades em busca das ruínas Incas.
Em Huaraz você encontra diversas trilhas de diferentes níveis de dificuldade, guias com os mais diversos serviços relacionados às montanhas, saídas diárias para hikings e também as ruínas mais antigas que as deixadas pelos Incas. Partindo de Huaraz, trekkers de todo o mundo estão em busca de aventuras na Cordilheira Branca e Cordilheira Huayhuash. Esta cidade (e todo o Callejon de Huaylas ) é a capital do montanhismo peruano, andinismo e escalada no Peru, e  vários trekkers nos relataram que este é um lugar raro no mundo.

Cidade de Huaraz e o nevado Huascarán (6.768m), considerado o local mais alto do Perú e 3° maior montanha dos andes.

Cercado pelas montanhas andinas, a cidade tem uma altitude de 3050m acima do nível do mar e está localizada no vale norte do Peru, com uma população estimada em 140.000 habitantes.

Ficamos hospedados no hostel Artesonraju, localizado no bairro Pedregal, cerca de 15min de caminhada do centro.

No terraço do hostel Artensonraju já temos uma bela visão da cidade e dos nevados

Chegamos com 2 dias de antecedência ao principal trekking que iriamos fazer. Para nos aclimatar combinamos 2 saídas para praticar Hiking. Trilhas de aclimatação antes da tão esperada travessia de Huayhuash. O proprietário do hostel é guia e dono de uma agência, muito atencioso, que nos passou todas as informações e tirou nossas dúvidas em relação as trilhas de aclimatação. Subimos as lagunas Willcacocha e Churup como preparação para o grande trekking de Huayhuash.

1° dia – Laguna Willcacocha

O vídeo acima contém imagens aleatórias dos 2 primeiros dias de aclimatação que fizemos na Laguna Willcacocha e Laguna Churup

A laguna Willcacocha se localiza na região oposta a Cordilheira Branca, conhecida como Cordilheira Negra. A lagoa não é tão atrativa assim, o melhor de lá é a vista para vários cumes nevados da Cordilheira Branca e também uma vista panorâmica da cidade de Huaraz. Não é cobrado nenhuma taxa de acesso para se fazer esta caminhada, e a área não está dentro de nenhum parque nacional.

 

Vista da Laguna Willcacocha e ao fundo os nevados da Cordilheira Branca!

Saímos em busca de um ‘colectivo’ (uma van que faz o transporte local), no centro que nos levasse até a localidade de Chiwipampa, ao sul do centro de Huaraz, e pedimos para desembarcar bem em frente à ponte Santa Cruz onde se inicia a caminhada de cerca de 8,5km. Em alguns momentos passávamos pela estrada de chão e outros momentos pela trilha (também se chega de carro a esta laguna).

No início da trilha, a placa com informações de Willcacocha!

Até este momento não tínhamos sentido nenhum efeito da altitude, mas logo que iniciamos a caminhada morro acima notamos que a subida não era tão inclinada mas o esforço que fazíamos era muito grande. Andávamos 4 ou 5 passos  e já tínhamos que parar pois ficávamos ofegantes, com dor de cabeça e o ar parecia não entrar nos pulmões. Mascamos folha de coca que amenizava um pouco os efeitos da altitude e também achamos folhas de eucalipto que ao serem inaladas davam a sensação de abrir as vias aéreas melhorando a respiração.

Paramos várias vezes para descansar. Teve um momento que eu Vanessa, na metade do caminho comecei a me sentir muito cansada, ofegante e com dor de cabeça e estômago. Deitei no chão seco e empoeirado ao sol mesmo e fiquei ali esperando melhorar.  A altitude também afeta o estomago, por isso é importante antes da trilha comer alimentos leves e se hidratar bastante durante a atividade.

Vilarejo de montanha durante a trilha!

Durante o caminho encontramos nativos que moravam por ali, nos vilarejos da montanha. Esse trajeto passa por uma área rural, na Cordilheira Negra, (não há neve nessa região) onde plantam principalmente trigo e milho, criam alpacas, ovelhas, porcos e etc. As casinhas são quase todas feitas de tijolo de barro á vista (adobe).

Plantação de trigo na subida a laguna

Á passos lentos, observamos como era o cotidiano deste povo, que ainda utilizava técnicas de cultivo consideradas antigas em nossa região. O trabalho é todo braçal, trigo colhido a mão e processado de forma artesanal.

Na imagem abaixo o campesino usava os burros circulando ao redor dele, pisoteando o trigo para processar o alimento.

Campesinos trabalhando com o trigo

O clima na região é muito seco e árido, o sol escaldante. Como praticamente não há chuvas nesta época, para poderem fazer qualquer plantio precisam de um sistema de irrigação. Só há vida onde eles conseguem irrigar ou perto de lagunas naturais, o resto são serras desérticas.

Casas de adobe feitas pelos campesinos do vilarejo

Conforme subíamos, avistávamos a Cordilheira Branca que fica no Parque Nacional de Huascarán ao norte, com seus imponentes cumes nevados.  Chegando lá, após 2 horas de caminhada num trajeto de 4 km ,encontramos a única lagoa da Cordilheira Negra, em uma altitude de 3.760m.  Foram 500m de aclive, que pareciam muito mais devido à sensação da altitude.

Huarasinos, moradores próximos a laguna Willcacocha

Chegamos lá, apreciamos as lindas paisagens, tiramos fotos com alpacas, crianças e as campesinas com as tradicionais roupas de ”cholitas”          (cobram 1 sol para tirar fotos ).

Chegando na laguna, as poucas sombras que tinha no caminho!

Eu esqueci de levar o chapéu e recomendo levar, porque 95% do caminho tem a exposição ao sol, nessas altitudes a radiação solar é mais forte. Lembre-se  de usar bloqueador também! Durante a subida sentíamos muito calor. Mesmo com o mormaço do dia é importante levar um corta vento e um fleece, (ou pode ser uma jaquetinha quente) porque conforme chega o final de tarde vai esfriando bastante.

Algo que chamava atenção era o pessoal local. Mesmo quando estava calor sempre andavam agasalhados, os guias nos disseram que como sempre faz frio pela manhã e a noite, eles nem tiram o casaco durante o dia.

No começo da subida, a primeira vista mais cumes nevados!

No caminho se encontra além dos campesinos, vários trekkers, sendo essa uma das principais trilhas de aclimatação em Huaraz.

Soroche pegando e nós felizes do mesmo jeito! rsrs

Finalmente chegamos a tal laguna e ficamos impressionados com a bela visão. De lá se vê todos os picos nevados mais altos  da Cordilheira Branca, valeu a pena o esforço!

Vista impressionante das montanhas nevadas da Cordilheira Branca!

Primeiro desafio concluído, agora é só baixar, a parte mais rápida e tranquila, aí todo santo ajuda!

Momento de euforia chegando no objetivo com as belas paisagens vistas a partir de Willcacocha!

Retornamos pelo mesmo caminho e ao chegar na rodovia tomamos a primeira van que passou e retornamos ao centro de Huaraz. Ficamos felizes com a nossa primeira experiência de caminhada no Peru e já começamos a nos preparar para a próxima aventura!

Confira nosso trajeto no Strava:

 

Laguna Churup

2° dia de aclimatação. Decidimos que já poderíamos encarar a Cordilheira Branca mais de perto e ir até uma as lagunas mais conhecidas da região, aos pés do nevado de mesmo nome.

Para chegar ao início da trilha da Laguna Churup são cerca de 1h de van e já fica dentro do Parque Huascarán.

A aventura já começa ao embarcar em um colectivo

Saímos as 6 da manhã do hotel, até a esquina onde Scheller nos informou de uma van que levava ao inicio da trilha da Laguna Churup, na localidade de Pitek.  Não foi difícil encontrar e às 7 da matina partimos. Logo na saída furou um pneu, o que acabou atrasando um pouco nossa ida, mas tudo bem, tínhamos tempo.

É cobrada uma taxa de 30 soles por pessoa para visitação na metade da trilha, onde há um posto de controle com um guarda-parque.

Dessa vez a trilha tem um nível de dificuldade maior que na Laguna Willcacocha. A distância é quase a mesma, menos de 6km. O que muda é o desnível acentuado, com uma subida de 840 m. A parte mais desafiadora, é uma escalaminhada em uma parede de rocha na diagonal, (com cordas de aço protegido por uma mangueira nas partes mais difíceis) que fica ao lado de uma bela cascata de degelo.

Posto de Controle do Parque Nacional Huascarán!

 

Mochileiros que conhecemos no início da trilha: 1 brasileiro e 2 americanos

Nesse dia, sentimos pouco a altitude, já aclimatados, apenas cansávamos em alguns momentos. Realmente as caminhadas e pedaladas de treinamento na serra catarinense fizeram a diferença. É importante fazer um treinamento para aumentar a resistência, antes de querer se aventurar em Huaraz.

Escalaminhada quase chegando, Eu Vanessa fazendo a frente! 🙂

 

Renan posando para foto com a minha mochila antes de começar a escalaminhada! 😉

A vista do Nevado Schurup se mostrava mais bela à medida que avançávamos.

Nevado Schurup! 5.493m de altitude do nível do mar!

Chegando a Laguna Schurup, encantados com a beleza peculiar das cores esverdeadas e azuladas de suas águas em contraste com o Nevado Schurup!

A laguna fica à 4500 metros acima do nível do mar. Uma curiosidade é que ela muda de cor de acordo com a luminosidade do dia.

É importante levar pelo menos 2 litros de água, um lanche pois a trilha dura em torno de 4 à 5 horas. Use roupas leves de caminhada e não esqueça o corta vento himpermeável, porque é muito comum mudar o clima rapidamente nas montanhas de Huaráz.

É um lugar paradisíaco, um sonho para a maioria dos trekkers de todo o mundo, caminhar na Cordilheira Branca e Huayhuash! Foi indescritível a sensação de estar em lugar cinematográfico como este.

Foi aí que conhecemos alguns nativos e mochileiros da Venezuela, Estados Unidos e França. Um amigo peruano que fizemos lá  se animou para entrar na lagoa.  Depois mais um casal de venezuelanos também se encorajaram. Aí, pensei, quando vou ter essa oportunidade de novo? E ME JOGUEI DE CORPO INTEIRO! ”AAAAHHHH!!!”Foi a melhor sensação do mundo. Uma mistura de purificação de alma corpo e mente! Renan só entrou com água até nos joelhos, faltou coragem! Na hora da saída, nos secamos, vestimos a roupa e já começou a bater um vento frio. Nos abrigamos atrás de uma pedra e lanchamos antes de retornar. Demos  um até breve a Laguna Schurup.  Descemos por outro caminho, ingríme, mas sem escalaminhada, com os novos ”hermanos”. A vista dos rochedos e nevados imensos era continua durante o caminho! Descemos tranquilos, sentindo uma energia incrível daquele local. Chegamos à comunidade de Pitec, as 3h.

Não resisti!

 

Dia inesquecível!

Conhecemos um senhor nativo de 60 anos de idade. Ele nos contou que havia subido também a Schurup junto com seus netinhos de 6, 7 e 9 anos de idade. Os locais já são acostumados com a altitude de lá,  pra eles é muito tranquilo subir as serras andinas! Caminhamos um trecho ainda até a van, cantado e dançando ”Chincha” com os meninos  nativos e mais os amigos mochileiros. Descemos com a van o trecho de estrada de chão em zigue zagues ao som de musicas típicas da cultura peruana. Mais um dia intenso realizado e registrado com sucesso!

Mais uma trilha riscada da lista de desejos do Casal na Montanha!

 

Emocionada com a vista!

Confira o trajeto no strava:

Antes de nos aventurar seguimos algumas dicas desse site, confira mais informações sobre aclimatação aqui:

10 dicas de aclimatação para quem vai para a altitude

Em breve relato do fantástico circuito de 9 dias de Huayhuash, que está no ranking dentre os 5 melhores trekkings do mundo! AGUARDE!

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