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Escrito por: Vanessa e Renan

Travessia Campo dos Padres

Realizada nos dias 13, 14 e 15 de Abril de 2017.

Desafio planejado, desafio lançado!

Confira o vídeo desta trip:

Em 2015 o Casal na Montanha esteve no Campo dos Padres em um trekking de 4 dias. Foi nossa primeira experiência em travessias, clique aqui para acessar o relato e saber como foi.

Em março de 2017 começamos novamente a planejar esta trip e toda a logística envolvida para tudo acontecer dentro do roteiro. Por se tratar de um reconhecimento convidamos para participar deste trekking apenas os amigos mais experientes do Trip Montanha, aproveitando também para reencontrá-los e trocar experiências explorando locais desconhecidos. Um verdadeiro encontro de montanhistas.

Estávamos sempre de olho na meteorologia, caso a previsão fosse de chuva ou neblina teríamos que cancelar e até na terça-feira, estávamos desanimados com a previsão de mau tempo que estava fazendo para o feriadão. Porém, começou a mudar e uma massa de ar frio veio e deixou o tempo perfeito! Isto nos deixou muito felizes e nos motivou a nos lançar nesta grande aventura.

A nossa caminhada começou no Rio Canoas em frente a Pedra da Águia, no sul do Campo dos Padres. O objetivo era caminhar cerca de 55 km em até 4 dias para chegar ao nosso ponto de resgate, na Pedra Branca, Alfredo Wagner no extremo norte do Campo dos Padres. Por conta da boa logística planejada antecipadamente e disposição do grupo, conseguimos fazer tranquilamente em 3 dias, chegando no sábado à Pedra Branca.

Nosso ponto de partida – Pedra da Águia – Urubici

No Campo dos Padres estão os campos de altitude mais preservados do Sul do Brasil.   No Alto da Serra Geral de Santa Catarina, estende-se da Pedra Branca em Alfredo Wagner até o Espraiado em Urubici. Nessa região nascem rios de 3 importantes bacias hidrográficas que abastecem nosso estado – o Rio Canoas, Rio Itajaí do Sul e Rio Tubarão. Por sua vez, é um grande motivo para manter este paraíso preservado .  Há um projeto de instalação de mais de 260 torres eólicas em todo o campo dos padres que ameaça esse ambiente natural, enquanto isso não acontece aproveitamos para conhece-lo no seu estado puro, natural.

O nome “Campo dos Padres” foi dado em alusão aos padres jesuítas que, vindos das Missões, refugiaram-se nos campos desta serra.

A região é provida de inúmeras lendas, esculturas geológicas, montanhas, escarpas e chapadas, além dos cânions e das cachoeiras que compõem todo o cenário.

Com o ponto culminante de SC, o Boa Vista encontra-se no Campo dos Padres com seus 1827 metros de altitude localizado na cidade de Bom Retiro.

Vista do topo da Boa Vista ( Marco a Direita)

Há uma grande riqueza de biodiversidade de fauna e flora, que fazem da região um ecótono, um lugar de transição onde esses ecossistemas se encontram. Sempre buscamos ser gentis com a natureza, não deixando  lixo na trilha, evitando fazer fogueiras e caminhando por trilhos já existentes.

Preparação

Na semana anterior a caminhada começamos a preparar nossos equipamentos para o trekking. O que levamos na mochila?

  • Alimentação para 4 dias
  • Kit cozinha composto por fogareiro, gás, panelas, pratos, garfo, faca.
  • roupas leves sistema 3 camadas.
  • barraca Azteq Nepal
  • saco de dormir 0°
  • Colchonete inflável/isolante térmico
  • itens de higiene ( sabonete, escova de dentes, pasta)
  • primeiro socorros
  • acessórios ( canivete, facão, cordelete, bastão de caminhada, chapéu de sol, gorro, óculos,)
  • sacolas para lixo
  • lona pequena
  • Equipamento fotográfico
  • GPS e baterias extras
  • Rádio para comunicação

O tamanho minimo da mochila para transportar todo o equipamento deve ser algo entre 50 a 70 litros.

Participantes do trekking: |–>  Josimar Cristofolini (Dodi), Vanessa Franz, Renan Schuller, Léo Baschirotto, Cristian Stassun, Cristian Bas, Edson Hostins, e Luan Beerli.

Esperando nossa mochilas com o visual do Espraiado!

Dia 1

Quinta feira 13 de abril

A saída foi programada para as 4:30AM em Alfredo Wagner, onde saímos em direção a Urubici pela 282, tomamos o café da manhã em Urubici e seguimos rumo ao Rio Canoas.

A nossa amiga Carol do Espraiado nos ajudou levando as mochilas em sua camioneta até o final da primeira subida.  Foi muito importante para ganharmos tempo e cansarmos menos,  pois já sabíamos da previsão de chuva no sábado e queríamos agilizar. Subimos toda a serra do espraiado caminhando sem o peso nas mochilas! Isso nos permitiu ganhar bastante terreno no primeiro dia, caminhamos um total de 22km.

O trajeto

Sem as mochilas vencemos o trecho de serra mais rápido, saímos dos 917m, percorremos os 8km de serra até chegar a 1350m. Onde sairíamos da rota 4×4 e entraríamos no trecho de trilha. Assim que o trekking realmente começou!

Ponto de partida da Travessia Campo dos Padres

De mochila nas costas, seguimos em direção ao norte, o Campo dos Padres. Andamos pelos campos, turfeiras, atoleiros e mata nebular.

Durante o caminho paramos em 2 cachoeiras para explorar e se refrescar um pouco. Fazia calor e o sol estava queimando.

Cascata de nome desconhecido

Durante a caminhada definimos que o melhor seria acampar o mais próximo possível do Boa Vista, para aproveitar o dia seguinte para explorar o lugar mais alto do estado.

Finalmente chegamos nos campos, já bem próximos novamente ao rio canoas, paramos na cascata para curtir o final de tarde.

O rio Canoas tem uma extensão total de 570 km, sendo o maior rio que corre somente no estado de Santa Catarina. Nasce no campo dos padres, na divisa das cidades de Anitápolis, Santa Rosa de Lima e Bom Retiro. Esta cascata do rio canoas é ideal para banho! A água límpida e gelada é rejuvenescedora!

Cachoeira do Rio Canoas – Campo dos Padres, Anitápolis.

O primeiro dia do espraiado até o boa vista é intenso, passando  por trilhas mais fechadas, saindo nos campos , já próximo do Rio Canoas e Boa vista.

Foto: Léo Matei

Depois de mais uma pernada chegamos até próximo a Casa Azul em Anitápolis. Nesse dia fizemos a caminhada mais longa, com 22 km, acampamos próximo a casa azul, todos sem exceção foram dormir cedo pois estávamos cansados depois de um dia inteiro de caminhada.

Final do dia na montanha! Ao fundo casa azul e morro do cemitério

Dia 2

Sexta feira 14 abril

Na manhã de sexta o dia amanheceu com serração, por isso nos permitimos dormir até mais tarde neste dia para descansar bem. O Léo e o Bassis não resistiram e já saíram antes de todo mundo acordar para fazer uma caminhada até a borda.

Tomamos café da manhã reforçado, levantamos o acampamento e pé na estrada… ou melhor na trilha!

Neste dia percorremos 16,7km pelos campos de altitude, passamos pelos lugares mais altos de SC.

Começamos subindo o morro do Cemitério do Campo dos Padres, usado antigamente pelos jesuítas.

Temos pela frente 16 km de trilha intensa que nos levaria até uma vista de frente para a escarpa dos soldados, já próximos ao Arranha Céu e a divisa com Alfredo Wagner.

Caminhantes, por Léo Matei

Neste dia devido a proximidade do Boa vista teríamos bastante desníveis, muita caminhada por campos e charcos. Tivemos que abortar a parte de subir o boa vista a 1827m pois o seu topo estava coberto por nuvens, o que impossibilitaria ter qualquer tipo de visão lá de cima. Pegamos um atalho e continuamos rumo ao norte.

Foto: Léo Matei

O tempo neste dia foi de transição, ora a neblina cortava nossa visão a distancia, ora o tempo abria e nós nos deslumbrávamos com a paisagem. Levamos sorte por não ter pego nenhum pingo de chuva durante toda a caminhada.

Casal na Montanha no Morro dos 50

Vista para o Morro dos cinquenta, e abaixo de nós a cidade de Anitápolis

No morro das ”tetas” fizemos mais fotos com vista para o imponente ”Morro dos Cinquenta” próximo dali, fica a saída/entrada para a trilha dos índios que dá acesso ao Campo dos Padres por Anitápolis.  Na face oeste, temos a vista do ponto mais alto de SC, o Boa Vista.

Foto: Léo Matei

Seguindo em direção ao norte do campo dos padres, passamos por fazendas de criação de gado. Passamos ao lado do morro Bela Vista do Guizoni, não subimos ao seu cume pois estava literalmente encostando nas nuvens.

O morro da Bela Vista do Ghizoni é o terceiro ponto mais elevado de Santa Catarina, com latitude de 27 53 07-S e Long de 49 18 34´-W.  Sua altitude é de 1810 m, ficando atrás do Morro da Igreja do Parque Nacional de São Joaquim (1822 m.) e  Morro da Boa Vista (1827m). A população local, chama essa elevação, por outro nome, correto e sugestivo pela sua forma, de morro do Chapéu.

Face norte do Morro do Chapéu ou Bela Vista do Guizoni

Após contornar o Morro do Chapéu seguimos caminhando por um longo trecho plano a mais de 1700m de altitude, as turfeiras eram tão fundas que em algumas chegavam a afundar acima dos joelhos, o que tornava nossa progressão lenta, seguimos ao final deste plato já eram quase 5 da tarde, e então decidimos montar o acampamento neste local.

Barraca Nepal Azteq sendo montada

Montamos as barracas a mais de 1700 de altitude. Acertamos em cheio a escolha do acampamento, o pôr do sol e a noite estrelada estava SENSACIONAL.

Final de tarde na montanha, acampamento já montado!

Bassis e Luan foram buscar água para preparar a janta, e nós ficamos fazendo algumas fotos do maravilhoso pôr do sol que aconteceu, veja esta foto 360° neste momento:

Ao anoitecer,  ficamos lá do alto observando o imenso mar de nuvens se formando abaixo de nós!

Acampamento com mar de nuvens à luz do luar. Foto: Luan Berli

Em nosso camping tivemos uma grande surpresa com a paisagem espetacular.  Ao anoitecer, milhares de estrelas, algumas cadentes, satélites e um gigantesco meteoro de fogo rasgando o céu durante uns 5 segundos que deixou todos impressionados.

Sessão de fotos noturna

Foi feita uma tenda para nos proteger do vento e o orvalho da noite, ali debaixo cada um dos integrantes preparou o seu jantar. Momento de integração com a galera e muita troca de experiências.

Tudo o que se precisa numa cidadezinha no alto de uma montanha, é de vizinhos bacanas! – Léo Matei

A lua nasceu em um tom avermelhado e logo a noite ficou mais iluminada com sua presença, o contraste das montanhas com o céu e as nuvens baixas pareciam o  mar e nas encostas como cachoeiras.  Fotos especiais foram feitas nessa noite.

Acampamento nos montanhas – 1700m

Dia 3

Sábado 15 de abril

Este dia começou cedo!

Empolgados com a bela paisagem noturna, combinamos acordar as 4am, com intuito de ver o sol nascer próximo ao Pico Arranha Céu que ficava cerca de 2km para o leste, onde teríamos uma boa vista do sol, que iria nascer lá pelas 6AM.  Ficou acertado de alguém acordar as 4 da matina e verificar, caso o céu estivesse limpo este deveria acordar os outros.

Amanhecer na borda leste do Campo dos Padres é sempre um espetáculo!

Valeu a pena ter acordado tão cedo, chegamos na borda leste cerca de 10 minutos antes do nascer do sol, as rochas desta formação são espetaculares!

É  bem próximo a este local a divisa de Alfredo Wagner com Anitápolis, e estávamos a cerca de 1.780mts de altitude.

Imponente e inexplorado Pico Arranha Céu.

A algum tempo queríamos chegar próximo do imponente, Arranha Céu para tentar subir por trás de sua crista, chegando lá vimos que isto não seria possível…

A formação rochosa é imponente e muito vertical, somente com cordas e técnicas de escalada para chegar ao topo.

Quando chegamos lá gravei este vídeo:

Foi uma boa maneira de iniciar o dia!

Após ver o nascer do sol voltamos para a base para o café da manhã e desmontar o acampamento, pois tínhamos um longo caminho para vencer neste dia.

Base de acampamento a 1700 metros de altitude.

Era cerca de 9 horas da manhã quando todos estavam prontos para partir, e o nosso destino neste dia seria descer a trilha da Pedra Branca.

Este trecho seria o mais difícil da travessia, pois apresenta muitos atoleiros, aqui você vai molhar o pé de qualquer jeito!

Percorremos um bom trecho por trilha fechada, atoleiros e bastante umidade. inclusive parte de campos com uma vegetação bem diferente.

Na trilha com Dodi e Luan!

Próximo ao meio dia paramos neste local para o almoço, neste dia foi apenas um lanche rápido para continuarmos logo a caminhada!

Parada para almoço na montanha

Do Monte Lajeado para frente seguimos costeando as bordas e fizemos várias paradas para fotos! Esta parte do Campo dos Padres é muito bela, com imponentes penhascos e visão para a lateral dos Soldados Sebold! É incrível como lá de cima até as 3 enormes pedras dos soldados parecem pequenas!

Fotografando o Dodi com fundo dos Soldados do Sebold

Como tinha previsão de chuva apressamos o passo, fazia calor e achamos que poderia chover a qualquer momento, só que isso não aconteceu, nada de chuva, as nuvens limparam o nos propiciou belos visuais!

Borda leste do Campo dos Padres

Já cansados pela intensa caminhada finalmente chegamos no facão onde se inicia a descida da serra, lá do alto já poderíamos ver o lugar onde deixamos nossos carros, só restava descer a serra para completar a aventura!

Chegando a trilha da Pedra Branca, já estávamos praticamente em casa. Mas a descida é dura para o ultimo dia de caminhada, porém seguimos firmes e fortes o últimos 6 km até o final. Chegando ao ranchinho de frente para o perau comemoramos nossa jornada com sucesso! Os amigos da montanha já estavam empolgados sentados na grama combinando a próxima travessia! Foi uma grande aventura que com certeza ficará guardada em nossas memórias para sempre! Sujos e exaustos voltamos para casa com sensação de alma renovada, um tchau para a galera com um até breve para a próxima travessia!

Mais imagens da Travessia Campo dos Padres:

4 thoughts to “Travessia Campo dos Padres

  • Jadna

    Liindas fotos, trekking show!

    Responder
  • Renan Schuller

    Show!

    Responder
  • Acima

    Belas imagens, maravilhoso relato.
    Uma sugestão, por favor, não confunda Mo. do Chapéu com Mo. da Bela Vista do Ghizoni, que são tudo, menos o mesmo. Não há Mo da Boa Vista(há algum com má?), mas sim, ele, o Mo. da Bela Vista do Ghizoni, desde 1948!. A distancia entre eles em linha reta é de exatos 3 Km. Saudações e para dúvidas, consulte Cátia Zemke ou Leo Baschirotto

    Responder
  • Dianne Schaldach

    Que show! Muito legal o relato e lindas fotos!!! Parabéns!

    Responder

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